Seguimos uma vida de rituais, alguns como o de passagem, que nos transforma, é como a borboleta que antes de ganhar asas foi lagarta e no seu ritual de transformação, passou longos dias envolta em um casulo vendo apenas o seu interior. Ou o menino que saiu de sua cidade e se forjou homem em terra estrangeira, de língua estranha e de poucos amigos, este também teve em sua viagem um ritual de anos, de passagem e de mudança. A também o ritual que nós faz ficar, que cria raízes, é o trote do adolescente ao chegar na faculdade comparada ao faraó mumificado, para ficar eternizado na história, pode ser também as palavras de eu te amo, que faz quem ia querer ficar. Por fim, a mais um ritual, que só pode vir depois de todos os outros, o do desapego, da partida, o que termina com as histórias não acabadas, ou então que define de uma vez o que não estava definido, é o ritual que liberta, que revela, o apocalipse de um momento na vida de cada qual, é o homem abandonado que queima as cartas e fotos da mulher que o abandonou, é a adolescente que abdica a tudo para esquecer um único amor não correspondido, é o condenado pedindo misericórdia a Deus antes de ser executado, é o samurai enquanto desembainha sua espada antes de uma luta de morte, é a extrema unção que damos a nossa própria alma quando dizemos adeus.

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