domingo, 17 de março de 2013

Do começo de 2012, eu acho.




Chovia naquela manhã, o tempo ainda nublado, ele já não tinha mais certeza de a quanto tempo chovia, mas tinha numa recordação distante a lembrança de uma tarde ensolarado. Apesar disto, era uma manhã gostosa, o aroma do café preenchia o quarto, e ele podia sentir também o cheiro de torradas. Abriu um sorriso, era sinal de que ela ainda estava lá. Levantou-se, vestiu uma camisa que repousava sobre uma cadeira então desceu as escadas, a grande janela de vidro lhe permitia ver as arvores do jardim salpicadas, com as gotas do orvalho matinal, e também, o gramado encharcada com o chuvisco fino que caia. Como a sala emendava diretamente com a cozinha, mesmo antes de chegar ao final ele já pode vê-la, sentada sobre o balcão da cozinha, na sua mão uma torrada com algum tipo de geleia, provavelmente amora, e na outra um pequeno livro, ao seu lado uma caneca, não era café, ela sempre gostou do cheiro perfumado que o café exalava quando estava sendo feito, mas nunca apreciou saboreá-lo. Quando atingiu final da escada ela levantou os olhos para ele, apresentavam uma grande íris pois nos dias nublados a claridade sempre a atrapalhava enxergar, e suas pupilas ficavam pequenininhas. Ela estava vestia um baby dool e usava apenas uma calcinha branca e preta da cintura pra baixo, estava descabela, como sempre pelas manhãs, quase como a juba de um pequeno leão, ele olhou-a e sorriu discretamente. Quando chegou na cozinha, ela largou o livro e a torrada, levantou-se e lhe deu um abraço apertado e um beijo no rosto antes de dizer:
- Só esperei pra tomar o café da manhã com você, e te agradecer a noite de ontem.
Ele nada falou, não era preciso, apenas a olhou-a fundo nos olhos, e abriu um sorriso. Sempre soube que ela era assim, tipo cigana, do mundo, e sempre foi isso que ele mais amou nela, mas ainda assim, sorriu, afinal, desta vez ela havia esperado pra se despedir e tomar um café da manhã com ele.
No dia seguinte fez sol, e enquanto ele tomava seu café sozinho, olhou pela janela e pensou, onde estaria ela agora? Tanto faz, ela é esperta, certamente está por ai, vivendo, e logo voltará a chover de novo, quem pode saber do tempo? Ele fechou o jornal que lia, tomou o ultimo gole do café, e foi viver sua vida.  

Eu.


Para lembrar o que busco. Ou quem sabe o que quero, ou quem sabe o que sou.