segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Matilha



A matilha se reúne, caçam, brincam, lutam e choram juntos. Horas um, horas outro, alguém puxa o bando, os protege e é protegido. Se um ficar para trás, todos esperam, todos andam juntos, e se um parar, todos param também. Um dia um tem de sair, outro entra em seu lugar, mas, deixa nos que ficam suas marcas mais profundas. Entre alfas e betas, não somos dez, onze ou doze... somo UM.

Para: Meus Melhores Amigos

sábado, 3 de setembro de 2011

Pesadelo




Um...

Me preparo, terei de correr para te alcançar,

Dois...

Me agacho, prendo a respiração, terei apenas uma chance,

Três...

Posso ver-la de longe, eles estão ao seu redor, são tantos,

Quatro...

Se eu demorar um pouco mais, um segundo se quer, eles te levaram,

e eu não poderei mais te alcançar,

Cinco...

Corro o mais rápido que consigo,

Seis...

Você se afasta

Sete... eles te abraçam

Oito...

Um deles te beija,

você retribui,

Nove...

Eu congelo e caio.

Dez..

Você se vai.

E eu acordo.


Para: Anjo mal

domingo, 21 de agosto de 2011

Suspensão



Imagine-se em uma rua

Você está sozinho, mas não queria estar

No desespero corre em direção ao primeiro prédio que vê

O plano já esta traçado, a decisão está tomada

Corre, abre as portas e sobe as escadas aos tropeços

Sim as escadas, precisa estar em movimento

O elevador lhe daria tempo para mudar de idéia

Sobe quinze lances de escadas, não precisa estar muito alto

Apenas o suficiente para não se machucar

Nem sobreviver

Ao chegar olha para o céu cinza e em seguida para o parapeito

Não para, corre em sua direção e salta

...

Silêncio

Sente o momento em que seus cabelos ficam soltos no ar, as roupas perdem o peso

Com elas os problema e as preocupações a angustia e a dor no peito

O tempo congela,

Era tudo que precisava,

Um momento suspenso no ar.


For myself

domingo, 14 de agosto de 2011

Doma-me



Ela sabe o poder que tem e a força que exerce
...
Cada curva de seu corpo chama para um desafio
...
E a cada olhar a intimar
Doma-me, se for capaz

...

sábado, 6 de agosto de 2011

Sem Medo de Cair



Risco o caderno como quem escreve poesia.

Visto as sapatilhas, me olho no espelho, penso em você.

Dou o primeiro passo, como quem compõe uma melodia

Então corro em sua direção, abro os braços, salto sem temer.

Escrevo seu nome em meu caderno, como quem escreve poesia

Perdido no desejo de querer ninguém menos que você.


Para: Liberdade

terça-feira, 12 de julho de 2011

...



Eu sei, faz tempo que não nos falamos. Você mudou muito, tanto que quase não te reconheci. Está mais bonita, mais forte, mais madura... mulher. Assim não consigo não te admirar. Eu também mudei, eu sei, foi melhor termos ficado longe um do outro, mas não quero dizer que gostei disto, senti saudades, com a saudade a dor das lembranças, e depois, o medo de esquecê-las e também o medo das mudanças. Se eu estava mudando tanto, sabia que você também estaria diferente quando volta-se. Sim, sempre soube que você voltaria, mas mesmo assim, temi que você não me reconhece, imaginei que poderíamos passar um pelo outro na rua, sem sequer notarmos, ou pior, se apenas um reconhece, e assim assisti-se de perto o outro simplesmente passar, como um estranho. Tolice minha, eu sei, mas não pude evitar, você sabe, meus sentimentos por você nunca mudaram, tão pouco tiveram qualquer oscilação, assim fica difícil ver quem amamos partir, sem previsão de voltar, sem futuro. Eu sei que faz parte da vida, e estas provas servem para nos mostrar o quanto verdadeiros e valiosos são nossos sentimentos, mas eu era apaixonado por você, e a paixão dói. Você sempre foi tão maravilhosa, um mistério fascinante para mim, como um livro, daqueles que se lê página por página, degustando cada palavra, e desespera-se quando se está aproximando do final, algumas vezes nós até voltamos atrás e lemos os mesmos capítulos novamente, só para poder saborear um pouco mais a obra de arte, e o mais incrível, você não só continua assim, como está melhor... eu não sei se foi a maneira gostosa como você se movimenta, o som macio da sua voz, mesmo acido as vezes, a profundeza dos teus olhos, a textura dos seus cabelos, o cheirinho gostoso da sua pele pela manhã ou mesmo a maneira confusa e compreensivelmente fascinante como suas idéias se desenvolvem... eu não tinha escolha a não ser me apaixonar por você! Não considero erro, não pense isso de mim, mas talvez tivéssemos sofrido menos, eu e você, embora eu realmente não tenha muito do que reclamar, ganhei muito mais do que perdi, se é que perdi alguma coisa em nossa história! Reconstruído as peças que você levou embora, eu aprendi muita coisa, sobre mim, sobre você, sobre a vida, e hoje eu estou melhor, mais forte, mas admito, sempre que você volta e deixa sem querer, que eu veja os pedaços que você me roubou escondido em seus bolsos, eu sinto uma confortante sensação de nostalgia, e fico particularmente feliz, pois entendo, que você não me jogou fora, apenas me obrigou a forjar sozinho meus próprios valores, que me fazer mais homem, e você mais mulher... Não, não vou te agradecer por isso. Aprendi com você, que as pessoas tem um tempo certo, que este tempo não deve ser contado em um calendário, e que quanto melhor aproveitado ele for, mais prontas estarão as pessoas quando ele chegar, então, deixo pra te agradecer em um futuro qualquer, assim quem sabe, possamos nós sentar para tomar um café, comer umas batatas e conversar sobre os livros que lemos, os filmes que vimos, e os pedaços que roubamos um do outro, e que carregamos em segredo nos nossos bolsos.

I Want To Hold Your Hand



Esta ficando difícil esconder. Já pensei em fugir, desistir, me virar sem olhar para trás, e te deixar para o futuro inserto... Uma vez eu quase fiz isso, em um momento de desespero, querendo te ter mas não podendo, tentei passar direto por você, sem te olhar... mas não consegui, pelo canto dos meus olhos eu vi quando você olhou pra mim e enquanto passávamos um pelo outro, e eu quase consegui escutar seus pensamentos. Parei no mesmo instante, olhei para trás, na sua direção, com um sorriso no rosto, você não viu, mas sentiu quando te puxei pelo braço e te abracei com força, senti de perto o perfume dos seus cabelos, e lhe dei um beijo bem próximo da tua boca, então me afastei o suficiente para olhar bem fundo em seus olhos, antes de te deixar partir. Desde então eu quero muito poder segurar sua mão... não sei se você vai entender, mas no momento em que eu te disser aquelas coisas, que são ditas antes de se começar um grande amor, eu quero segurar sua mão, antes de te dar o nosso primeiro beijo, eu quero te olhar fundo nos olhos, sorrir, e estar segurando firme suas mãos. A cada minuto do meu dia, enquanto eu pensar em você, eu vou me lembrar de quanto me sinto feliz quando estamos próximos, e quando toco em você, o que eu mais quero, antes de te beijar, antes de ser seu homem, antes de te fazer feliz, é que você queira segurar minha mão, e de mãos dadas, eu possa continuar te amando.


sábado, 9 de julho de 2011

DezCulpas



Passo a passo, um erro atrás do outro
Um crime de cada vez
E trancado no meu mundo, onde só eu existo
Eu planejo trancafiar você
Primeiro plano, primeiro erro, primeiro crime
E continuando o erro, eu assim o faço.
Te desejo mais do que posso, mais do que mereço
De forma cruel eu dou todos os passos que posso na direção do teu desejo
Uso todas as minhas armas, mataria friamente meus próprios princípios se preciso
Só pra te conquistar
Mais um passo, mais um erro, outro crime
E erro após erro eu continuo acertando em te conquistar
Lhe mando flores, doces, presentes, caricias, poesias
Lhe ofereço o mais sincero e profundo sentimento que posso ter
Outro grave crime, com você e comigo
Não bastando isso digo pra mim mesmo que te quero custe o que custar
Mesmo que isso cause grande dor para outra pessoa
Me visto em uma armadura e me ponho pronto para lutar contra qualquer um
Qualquer coisa
E assim me preparo para cometer meus últimos crimes por você
O Primeiro de me apaixonar loucamente por ti
E o segundo, ter de cogitar a possibilidade de desistir de você, por você.
Em meu mundo cheio de duvidas
Minha única certeza
É só você.


Minha Lua



Tenho pensado em você a cada minuto do dia
A cada passo que dou, a cada estrela perdida
Que despenca do meu céu em noite estrelada
Enquanto olho pra ti, minha lua iluminada
Da terra te vejo no céu, tão longe do meu alcance
Sonhado que estou contigo mesmo estando tão longe
Há noites, tenho sonhado com teu beijo tão esperado
O sabor do beijo teu, de teus lábios tão desejados
E assim lua, aqui te olhando, me desespero
Sem saber se você sabe, se sabe o quanto te quero.


terça-feira, 10 de maio de 2011

Nós



Nas mãos o tato, o cuidado, o carinho
Em seus pés a força, a estrada, o caminho
Na boca o verso, a palavra, a melodia
De seu corpo o desejo, o pulsar da sinfonia

Em poucos versos, a verdade, o sentimento
Envolto em respeito, a vontade, o desejo
De te ter aqui, ter agora, ter-la comigo
Ainda assim, feliz, por nada ser além de amigo.

É através do que construímos um com o outro, que podemos ter a segurança, de que nada derruba a nossa relação. A construímos da maneira mais correta possível, e a cada dia, ao nosso modo a tornamos mais forte ainda. Te adoro sem mudar nada em 'nós'. Sem desfazer nenhum dos “nós”.



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Espera, partida e reencontro



Foi com lagrimas nos olhos que seu irmão acenou para lhe dar adeus no momento da partida com o coração apertado de saudade, mesmo com a certeza do reencontro em um futuro muito distante. Enquanto isso, em uma família humilde nascia uma criança, incerta de seu futuro, e a nove meses aguardada com ansiedade. O pequeno bebê trouxe muita alegria para seus pais, que o amaram mais do que se é possível amar alguém, e em meio a muito amor, essa criança cresceu. Ainda na infância se admirava com os pequenos trabalhos manuais, gostava de improvisar seus próprios brinquedos, latinhas de refrigerantes e tampinhas de garrafas, tornavam-se carrinhos, ônibus e caminhões, tudo que a criatividade e o sonho lhe prometessem fazer. Na adolescência conheceu a puberdade, agora não lhe bastava só o amor dos seus pais, dos avos, dos tios, nem do irmão mais novo, para ele, agora as garotas eram sua nova descoberta, a muito já havia largado os brinquedos de sucata, mas, para suas novas distrações, era preciso algum dinheiro, pois garotas gostam de ser mimadas. E entre amigos e garotas, ele se desdobrou para arranjar seu primeiro emprego. Já quase adulto, ele já havia feito muitas coisas, descoberto muitas outras, e guardava com sigo ainda recordações de coisas muito simples, mas que lhe davam o gostoso prazer da saudade, a saudade dos bolinhos de chuva que sua mãe fazia nos dias de chuva, o chocolate quente nos dias frios e até mesmo os picolés que seu pai lhe comprava nas tarde quentes, sentia saudades dos dias em que soltava pipas com seu avô, das historias de sua avó e dos programas que passavam na TV nos domingos a tarde. Mas ele não tinha tempo pra mais nada disto, pois agora ele era um homem adulto, já havia trabalhado em quase tudo, fora lavador de carros, carteiro, carpinteiro, escritor, mecânico de bicicletas, poeta, tentará também ser musico, ator, bailarino, mas foi de verdade com a fotografia que ele se encontrou. Tinha um carinho especial pelas imagens que capturava, não somente por sua beleza, mas principalmente, porque acreditava que cada foto registrada, registrava também uma lembrança, que seria recordada sempre que alguém revisse a foto. Ele queria muito que alguém tivesse fotografado suas tarde chuvosas com os bolinhos de sua mãe ou o chocolate quente nos dias frios, mas como naquele tempo, não existia maquina fotográfica, ele guardava carinhosamente estas lembranças na memória, e apenas lá, exatamente junto das lembranças que tinha do dia em que conheceu seu grande amor. Ele já havia amado e sido amado por muitas mulheres, mas como todo mundo, uma ele amou mais do que qualquer outra, um amor daqueles que nos prende vendo uma fotografia dela na parede, e recordando de todos os momentos bons, de uma só vez. E assim ele envelheceu, e conforme envelhecia, conhecia mais de perto um sentimento comum a todos que um dia nascem, a morte, primeiro se despediu de seus avós, presenciou o sofrimento de seus pais com a saudade da perda e a certeza do nunca mais, assistiu cuidadosamente os procedimentos fúnebres, sem se dar conta de que poucos anos depois estaria enterrando seus pais também. É claro que estes antes puderam aproveitar seus netos, pois ele, a esta altura da historia, já havia casado, conhecido um grande amor, uma grande companheira, e com ela teve filhos, três, que cresceram e conhecerem a morte pela primeira vez vendo a partida de seus avós, os pais de seu pai, que sofreu a perda com a dor da saudade e a certeza do nunca mais. E assim ele se tronou velho, criou seus filhos, que lhe deram netos e bisnetos, e a família cresceu. Aos oitenta e poucos anos, sua esposa, sua companheira de aventuras, de viagem durante tantos longos anos, decidiu que estava cansada de viajar, despediu-se carinhosamente do tão amado esposo, com quem viverá tantas lembranças gostosas, e decidiu dar a ele uma ultima tarefa, e ele então a enterrou e a assistiu partir também, não mais na certeza do nunca mais, mas sim na esperança de um reencontro, na mesma esperança, que aos oitenta e poucos anos, o fez lembrar em uma tarde chuvosa, de como gostava muito dos bolinhos de chuva de sua mãe, de como admirava seu pai, da honra de ter conseguido criar seus filhos de forma honesta e bonita, sentiu então uma imensa saudade de seu irmão, durante toda uma vida seu melhor e fiel amigo, pensou então que havia cumprido seu papel, sua missão. Na mesma tarde chuvosa, seus filhos reuniram no hospital, já tristes lamentando o diagnostico letal do médico sobre seu tão amado pai, eles, agora, tinham medo do adeus, da dor da saudade e da certeza do nunca mais. Ele ali, hospitalizado, com dor, porém pleno de seu dever cumprido, esperou apenas a chegada do seu ultimo filho, que vinha de longe para se despedir. E foi exatamente no final da tarde, quando a chuva parou de cair, que ao pressentir a presença do ultimo filho chegando a porta do hospital, que ele se despediu da vida, na certeza do alívio de quem viveu da melhor maneira que pode, e assim partiu.
Em quanto isso, muito longe da li, foi com lagrimas nos olhos, que um irmão que a uns oitenta e poucos anos esperava, agora matava a saudade com o retorno de seu melhor amigo, e com um abraço caloroso de quem acredita e espera, ele pode ver também a tão amada mãe com seus bolinhos de chuva e o admirado pai que sempre se confortou, ali, esperando-o com a alegria do reencontro, na certeza da eternidade.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

...Ou talvez, só não fosse ainda, a hora de dizer.





Me desculpe por chegar assim, sem avisar. Não que eu não tenha planejado, mas também não o faço por maldade, não havia uma malicia, ou uma segunda intenção, talvez, seja apenas por saudade, até porque já faz tanto tempo, que eu nem se quer tenho mais o direito de tocar no assunto, mas foi inevitável não pensar em você agora. Ontem eu presenciei uma recordação nossa, envergonho-me em lhe dizer que talvez tenha sido uma das recordações mais infantis que já tive a nosso respeito, mas, que me tocou profundamente, de alguma forma. Ontem, estava em pé, aguardando na fila da Opera de Paris e poucos metros a minha frente, havia um casal, uma mulher de pele muito branca e longos cabelos negros, e um rapaz magro de cabelos curtos. Ela usava uma boina e um cachecol vermelho, e ele, óculos. A distancia em que eu estava não consegui escutar com detalhes o que falavam até porque meu Frances nunca foi grande porcaria, mas sem dificuldade, como você sabe, era possível ler a cena apenas prestando um pouco mais de atenção. O rapaz, o garoto, era provavelmente mais novo que ela, não me pergunte, não sei dizer ao certo quanto. Ele nitidamente nunca havia estado ali, ou talvez nem em teatro algum, de mãos dadas ele perguntava coisas a ela a cada minuto, e apontava todos os detalhes do saguão de entrada e da primeira galeria do teatro, cobrando informações e explicações sobre o local e seus segredos, ela, entusiasmada, explicava minuciosamente cada detalhe do que sabia, horas despejando grande quantidades de informações ao rapaz, outras, falando pausadamente quando percebia que seu companheiro não acompanhava seu raciocínio, o foco da explicação só mudava quando ela percebia nele um sorriso de gratidão e compreensão, ela então retribuía e a conversa mudada o foco para outro canto interessante do teatro, nos poucos momentos em que ela não lhe explicava nada, também não se falavam nada, apenas estavam de mãos dadas ou abraçados, não era possível ver, mas ainda assim estavam se comunicando, de alguma forma, e isto me fez lembrar de você, me fez lembrar de nós.
Não me pergunte, eu também já gastei todos os neurônios possíveis tentando me recordar onde foi que nós nos perdemos, mas não consegui. Durante um tempo eu cheguei a pensar que a culpa havia sido minha, pois na hora de lhe devolver tudo o que você havia me ensinado eu não tive nada para lhe oferecer, que na hora de fazermos a troca, onde você se penduraria em meu braço e eu lhe explicaria cuidadosamente sobre algo do seu interesse, eu talvez não tenha tido nada a lhe dizer...
...Não consegui concluir a história, não consegui concluir o texto, nem o raciocínio...
... Somente parei, pensei... e continuei pensando em você.
Nada mais. Sinto muito.
Ass. Saudade


sábado, 9 de abril de 2011

Salto em Dueto



Descobri quando me apaixonei por você!
Foi no me momento em que subimos no avião?
Não acho que ainda não foi neste momento.
Teria sido então enquanto amarrávamos o para quedas em nossas costas?
Não sei, mas acho que não, até porque não me lembro se de fato eu havia colocado o para quedas em minhas costas.
Sim, você estava de para quedas, sei porque fui eu quem o colocou em suas costas e chequei três vez antes, da mesma maneira como você fez comigo.
Então já sei, me apaixonei por você no momento em que pulei do avião e você pulou atrás de mim.
Não sei, acho que na verdade eu pulei primeiro e você pulou atrás, se lançou ao desconhecido com tanta confiança em mim que não existia outra escolha a não ser me apaixonar por você também!
Você já tinha saltado antes, como sabia que eu estava realmente pulando por você, e que não pulara só por pular?
Porque você me disse que nunca havia pulado antes, e eu acreditei, porque havia sinceridade em seus olhos.
Não, não fui eu nem você quem pulou primeiro, nós pulamos juntos, foi por isso que me apaixonei por você.
Sim, pulamos juntos, e caímos juntos, varias vezes.
Eu sei, e me lembro de cada uma delas, cada segundo de queda, e da sensação de paz eterna que sentia cada vez que nossos para quedas se abriam e nossos pés tocavam novamente o chão.
Sim e era maravilhoso chegar em terra firme com você!
Então, porque você nunca mais saltou comigo? Porque deixou que eu salta-se sozinho do avião? Você não poderia imaginar como seria doloroso chegar ao chão e ver que você não pulou comigo daquele avião.
Sim eu sabia que doeria para você, assim como doeu muito em mim, ver você saltando confiante como sempre fez, e durante a queda olhar para cima, não me ver, esquecer por causa de um único salto as centenas de saltos anteriores, eu também me assustei e sofri quando vi que você hesitou em abrir o para quedas, simplesmente porque daquela vez, eu não saltei com você.
Mas eu abri meu para quedas, sim, a apenas alguns metros do chão, e me arrependi, pois doeu mais ainda ver lá de baixo, você saltar de mãos das com outra pessoa, naquele momento, eu quis não ter aberto o para quedas.
Sinto muito, apenas sinto muito.
Tudo bem, já te perdoei, se é que havia algo a ser perdoado, até porque eu também continuei saltando depois, mas ainda assim nenhum outro salto foi como os que saltei com você.
Por que? Ninguém mais ajeitou seu para quedas ou te olhou fundo nos olhos como eu te olhava antes do salto?
Não, as outras pessoas também fizeram isso, e eu da mesma forma cuidei para que minhas parceiras fizessem o melhor salto da vida delas a cada salto que fazíamos.
E você não se apaixonou por nenhuma delas enquanto saltavam do avião?
Não, porque não foi saltando do avião que eu me apaixonei por você, logo também não seria assim que me apaixonaria por nenhuma delas.
Então não foi por saltar comigo que você se apaixonou?
Não, porque eu me apaixonei por você muito antes de subirmos naquele avião, antes dos para quedas serem inventados, antes do próprio avião, dos prédios e dos carros, porque eu descobri que te amo desde antes de nascermos.

E assim continuarei, até mesmo nas nossas próximas vidas.


Decidi Fugir



Decidi fugir...
Mas não o fiz... Se eu tivesse certeza de que ele te deixaria livre, feliz e... viva. Mas como não tive essa certeza, também não tive coragem de ir. Sim, fiquei por medo, medo de te perder para sempre, medo de sabendo que você estando escrava do veneno dele, perdesse todas as memórias... e com elas, qualquer vestígio de todos os sentimentos que tive por você, e de qualquer um que você possa ter tido por mim. Estou neste momento enquanto escrevo, sentado a beira do precipício. Apenas aguardo a noticia, a de que você entregou sua alma a ele. Sei que isso vai acontecer, sinto muito, mas terei de pular. Com sorte a queda me despedaçara em dezenas de pedaços, e o sol da manhã terminara de pulverizar o que sobrar do meu corpo. Minhas cinzas se misturaram ao vento e com o navegar das brisas, estarei dançado com você pela ultima vez. De uma única vez, você experimentará a prisão e a liberdade, estará livre de mim para sempre, e definitivamente presa a ele. Eu nunca comprei a briga, não por medo dele, claro que não. Mas por medo de te machucar. Sempre vi que seu carinho por ele era muito maior do que qualquer afeição por mim, mas mesmo assim...
Tanto faz. Se qualquer pedaço da minha alma ainda me pertencer, ela estará sempre zelando por ti.
Por sua felicidade.
Adeus.





Não espero de ti pouco mais do que já tenho.
Como um gato que tudo o que quer é um pouco de leite,
Um sofá para afiar as unhas e quando lhe convem, um do para lhe dar um dengo
Eu apenas olho atento a linda bailarina
Que enquanto dança faz do seu corpo a poesia
Que me impussiona e dá um novo sentido
A beleza de viver a vida.


Não me Procure





Não me procure, porque eu não quero estar por perto. Portanto não me procure. Não estarei perto no seu momento mais feliz. Não estarei perto no dia da sua formatura. Não me procure para contar como foi bom aquele dia especial. Não me procure para dizer como é bom estar sendo amada. Não estarei perto quando você receber aquele presente tão esperado. Não me procure quando você estiver com aquela baita vontade de comer inteiro um pote de batatas. Não me procure quando você estiver muito feliz, nem quando o céu estiver em um azul lindíssimo. Não vou estar por perto enquanto você estiver ouvindo a sua musica preferida, nem quando os pássaros estiverem cantando de manhã para você. Não me procure quando a sua vida lhe parecer perfeita e o amor infinito. Não estarei ao seu lado quando as cortinas se abrirem e você brilhar no palco. Não me procure. Porque no momento mais triste, na hora em quem em que simples palavras não bastam para preencher o buraco vazio dentro de nós e o nó na alma parecer tão apertado que o desejo de enlouquecer chega a parecer a única escolha na escuridão, neste momento, você não precisará me procurar, porque eu estarei ao seu lado.


Pas de Deux Proibido



Proibido
Ele sempre foi muito corajoso,
Enquanto ela, tinha medos
Um dia, ele, certo de toda a sua coragem, resolveu ir um pouco mais além
E tirou ela pra dançar.
Ela aceitou, com medo e coragem, tudo ao mesmo tempo
Ele dançou com ela, amando-a, desejando-a e respeitando-a
Tudo ao mesmo tempo
Em um tempo só.
Eles dançaram uma única dança,
De passos difíceis, e pouco ensaiados, pelos dois
Uma única música,
Com tempos complicados,
Meio valsa, meio complicado, completamente sedutor.
Ao final da dança,
De passos perfeitamente sincronizados
Eles se olharam ofegantes,
Ele, particularmente sorriu
Ela, tímida, escondeu o rosto,
Mas por baixo dos cabelos loiros, também sorriu.
No mesmo dia, eles viajaram
Para muito longe
Cada um para dentro do seu próprio mundo
E durante muitos dias eles não mais se viram, não se falaram, menos ainda, se tocaram
Mas ele, diariamente, pensava nela.
Eles nunca mais dançaram juntos,
Nem fizeram mais planos, como se nem sequer sentissem falta um do outro
Talvez, nem sentissem mesmo, pois ela, arranjou outro parceiro
E ele, também não recusou quando outra bailarina lhe pediu a mão para dançar
Eles nunca mais dançaram juntos,
Embora, o magnetismo entre eles, ainda os façam se movimentarem
Estranhamente quando estão um, perto do outro.
Não se falou mais no assunto,
Mas eles voltaram a se falar,
Ao menos, o essencial que se dever falar,
Para continuarem se chamando de amigos
Não porque esta condição agrade a qualquer um dos dois
Mas porque pensaram que talvez esta fosse a única maneira,
De continuarem próximos o suficiente,
Para sentirem um ao outro
Sem precisar se tocarem
Mas ambos sabem,
Que na verdade fazem isso por medo
Medo da verdade,
De se apaixonarem de novo,
De magoarem um ao outro,
Ou ao seu novos parceiros.
De verdade,
Hoje eles estão juntos e separados
Os dois ao mesmo tempo
E por medo,
Juntos, porque tem medo de se perderem um do outro
Temendo nunca mais encontrar igual relação,
Gostosa e tortuosa,
E separados,
Pois juntos tem medo de estragar o mais valioso de tudo
A confiança
A confiança de que estão agindo certo
Pensando que tudo em sua relação
É simplesmente,
Proibido.
E assim eles continuam
Sem poder dançar aquele Pas de Deux


domingo, 27 de março de 2011

Prelúdio de Vôo




Primeiro passo...
Faltam apenas alguns mais, e as primeiras memórias que me vem a cabeça foram das nossas discussões, você gritava e eu perdi a cabeça, triste, chateado e muito irritado. Você, chorava.
Segundo passo...
Lembro agora também, como adorava seu sorriso, e como era gostosa sua gargalhada ao meu lado, lembro-me também da sua cara de repreensão, da maneira como você franzia seu rosto quando sabia que eu havia feito algo de errado, e como era lindo o sorriso que você me dava segundos depois.
Terceiro passo...
Não consigo parar de me perguntar por que chegamos a este ponto, nós nos amávamos tanto, para onde foram todos os momentos bons, as milhares de horas de conversa, carinhos e dedicação, nós não pedimos esta chuva.
Quarto passo...
Me retornam todas as memórias, agora eu me lembro, gostávamos tanto um do outro que o medo de estragar qualquer detalhe nos deixava paranóicos, tínhamos medo, de perder aquela forma maravilhosa que tínhamos de nós comunicarmos apenas pelo olhar, e o arrepio gostoso que dava quando nos tocávamos, nosso carinho um pelo outro...
Quinto passo...
A forma como seu corpo se encaixava perfeitamente ao meu..
Sexto passo...
Eu tenho medo, por que tinha de ser assim, sei que já vai acabar, mas este medo...
Sétimo passo...
E o sabor da sua boca, eu sempre soube que era como um veneno para mim...
Oitavo...
Porque tinha de ser tão proibido, as pessoas nunca conseguiram entender...
Nono...
Todas as lembranças vem a tona de uma vez, meus olhos doem, como você me fez feliz, e como eu te amei tanto...
Décimo...
Sinto o perfume do seu cabelo, fecho os olhos, só mais dois passos...
Sua voz...
Mais um passo...
Deus, como eu te amo...
Ultimo passo sentindo o chão...
E é por isso que exatamente agora, estranhamente feliz eu vou tornar tudo isto eterno.
...
Quase,
Pronto,
Eu,
Você,
Sempre,
Fecho os olhos com força,
Tranco os dentes,
Abra os braços
...
Queda, vento, seu perfume, felicidade...
...Adeus.