
Decidi fugir...
Mas não o fiz... Se eu tivesse certeza de que ele te deixaria livre, feliz e... viva. Mas como não tive essa certeza, também não tive coragem de ir. Sim, fiquei por medo, medo de te perder para sempre, medo de sabendo que você estando escrava do veneno dele, perdesse todas as memórias... e com elas, qualquer vestígio de todos os sentimentos que tive por você, e de qualquer um que você possa ter tido por mim. Estou neste momento enquanto escrevo, sentado a beira do precipício. Apenas aguardo a noticia, a de que você entregou sua alma a ele. Sei que isso vai acontecer, sinto muito, mas terei de pular. Com sorte a queda me despedaçara em dezenas de pedaços, e o sol da manhã terminara de pulverizar o que sobrar do meu corpo. Minhas cinzas se misturaram ao vento e com o navegar das brisas, estarei dançado com você pela ultima vez. De uma única vez, você experimentará a prisão e a liberdade, estará livre de mim para sempre, e definitivamente presa a ele. Eu nunca comprei a briga, não por medo dele, claro que não. Mas por medo de te machucar. Sempre vi que seu carinho por ele era muito maior do que qualquer afeição por mim, mas mesmo assim...
Tanto faz. Se qualquer pedaço da minha alma ainda me pertencer, ela estará sempre zelando por ti.
Por sua felicidade.
Adeus.
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