quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A história do livro que já li.



Foi sem querer, que eu esbarrei na prateleira e aquele velho livre caiu, olhei-o receoso, depois desesperado corri para o pegar, desejando que ele não tivesse se danificado. Segurei-o cuidadosamente, e me veio toda a sua história na cabeça, Deus! Foram anos lendo aquele livro, viciado eu devorava os capítulos com a fome de quem dependia daquilo para sobreviver, no caminho derramei lagrimas manchando permanentemente o branco do papel, outrora ri como louco com as aventuras que minha mente me levava a crer que eram real. Naquele momento eu fui muito feliz, mas a tristeza bateu severa quando a quantidade de páginas restantes para serem lidas começaram a acabar, meu tão amado livro chegava ao final, e o desfecho dramático da história que se seguia não me acalmava ao espírito. E assim degustei dolorosa e saborosamente cada palavra que se seguiu nos últimos capítulos e como já era esperado, a história acabou. E agora, anos depois estava eu ali, com aquele velho livro empoeirado nas mãos, por um segundo pensei em ler ele novamente, mas não o fiz, passei delicadamente a mão em sua capa, re lembrando sua agradável textura, senti então o cheiro viciante das suas paginas e senti saudade. Antes que a vontade incontrolável de me afogar naquele romance se torna-se grande demais outra vez, eu o recoloquei em seu lugar na prateleira e me enchi de orgulho por ter vivido aquela história, pois sabe, as paginas já estavam tão amarelas que talvez me dessem alergia, e já é tardia a hora de buscar uma historia mais levem, mais alegre... um livro que me encha de alegria. Está quase na hora de achar um bom livro pra ler.

domingo, 23 de setembro de 2012

Das larvas que sobrarem, não espere mais do que nojentas moscas.





Você menina, é sim, uma fruta podre... Inconsciente e perfumada enquanto fresca, chama atenção de todos, aos que passam ao redor, fica a tentação de estender a mão até o galho mais alto para apanha-la, os pássaros, de leve a mordiscam, seu perfume se torna ainda maior anuncia que está pronta para ser comida, e assim as moscas são atraídas.  Mas a de se permitir que os vermes ataquem a fruta que já se faz madura, quase... podre... ferozes e vorazes eles corteja a morte, mordem uns aos outros, rasgam a carne com a mesma fúria e desejo com a qual adentrar a sua polpa doce e suculenta... a fruta "podre" e infestada de parasitas em breve cairá no chão... os vermes que dela comeram, gordos e incapazes, extasiados, serão comidos pelos pássaros, pois não terão como correr ou se esconder... A fruta podre e machucada no chão criará raízes. Não bastará a dor da queda, de ser atacada pelos pássaros ou de ser comida pelos vermes, sentirá também, lentamente a dor de penetrar na terra, mas depois da chuva brotara dela uma bela arvore.. e na primavera do ano seguinte ela dará pequenas flores, e quando o tempo passar, ano após ano, você, imponente, será sombra, ar puro, flores e dará novos frutos.

Mas no futuro não se esqueça, foi por quem te derrubou que se tornaste a arvore que é.

sábado, 22 de setembro de 2012

Atrito (Titulo Original 2011)




Outubro de 2011

Entendo porque é assim entre eu e você, somos feito como peças de um quebra cabeça, nós encaixamos com perfeição, milimetricamente equilibrados, perfeitos se ficássemos juntos, mas no momento incompatíveis... Como se houvesse uma barreira invisível entre nós, como água e óleo não podemos nós misturar, como duas superfícies de texturas diferentes, nós atritamos, entramos em combustão, desejo e repulsa, amor e ódio, mas nunca permaneceremos juntos... no fim é tudo igual, mas está tão cedo pra falar de final, que tudo que creio e que devemos deixar o tempo passar... vou te deixar ir..  vá com ele, ou com qualquer outro, nunca será somente minha, não é para nós o que eu sei que posso sentir por você, por que você não merece, não agora, não ainda. Quem sabe em outra vida...
A dor, é enxergar em ti um futuro tão promissor, que mesmo ainda tão nova, já decreta que não será fácil te deixar partir, que vale a pena esperar, que manhã você será a mulher que espero...
Dor também saber, que não serei eu a desposa-la, que muitas outras vidas passaram pela tua, e você se perderá mundo a fora, dona do próprio nariz... Cabe a mim agora, enquanto você é tão menina, apenas zelar pelo teu sono, e escrever timidamente as paginas da sua história que te lembraram daqui muitos anos, que entre muitos, eu fui uma pessoa legal pra você.

Outubro de 2012

Respiro um pouco mais profundo e sinto o coração acelerar quando risco no papel seguidas as palavras eu e você. O tempo, sempre sábio e severo não parou, e brincando de Deus como quem joga iô-iô nós deixou longe, depois perto, horas ameaçou, nunca mais, outrora disse que éramos perfeitos juntos. Compreendo assim nos esplendor da minha ignorância, que gosto de pensar, que fomos feitos um para o outro só que em universos diferentes, “sou um animal sentimental, me apego facilmente” as suas palavras, suas promessas, teu perfume e mordidas, beijos e olhares. Foi difícil não me apaixonar. Eu admito, briguei contra, considerei teorias de conspiração, invoquei rituais antigos, pesquisei seitas simbólicas, religiões perdidas, fiz cálculos de números de perfeição, estudei livros de estratégia de guerra orientais, busquei em mim e em você, algo que dissesse “não seja louco, não vai dar certo, você vai cair”... foi inútil, sua imagem ao lado da minha no espelhos, me fez crer que éramos deuses, que criaríamos nossos mundos, e por ele viajaríamos sem compromisso, destino ou hora pra voltar, hoje eu vejo, que o mundo do outro lado do espelho não está ao alcance, que meu mundo feliz contigo está do outro lado, mas o vidro e a prova de balas. O lado de cá, está em guerra, entre amigos e inimigos, ateamos fogos nos vilarejos, violentamos uns aos outros de todas as formas, despejamos venenos nas taças de vinhos e bebemos todos juntos, pois mesmo na guerra, ainda somos leais o suficiente pra não permitir, que nossa princesa se vá, com um raptor forasteiro, mas egoístas de mais pra permitir que ela vá com outro que nós mesmos. Nesta briga entre tigres e dragões, nos ferimos até a incapacidade, mas sabendo que depois tudo ficará bem, que os calos surgiram e nossa armadura estará mais forte da próxima vez... Lhe peço desculpas, enquanto escrevo minha história todos os dias, faço questão de lhe desejar bom dia na primeira linha do diário, e bons sonhos antes de fechar o caderno. Faço, não nego, questão de procurar o melhor ângulo, a melhor pose, a luz ideal para fotografar sua imagem na minha retina, o tempo todo, você sabe, me pega te olhando pelos cantos, e depois sorri sem graça. Me desculpe por isso, não faço por mal, e carinho apenas, de alguém que não sabe o que fazer com tanto afeto por você.
Se o senhor tempo, com o qual eu tantas vezes converso, e tanto pergunto sobre você, me permitisse fazer uma viagem de volta ao passado, eu retornaria para o mês de outubro de 2010, estaríamos em uma noite de final de espetáculo, sentados em uma pequena calçada atrás da lona de circo, as pessoas ao nosso lado estariam festejando, você ainda tão menina estaria sentada do meu lado direto meu lado, e eu estaria totalmente disposto a ver você se esforçando para mostrar o quanto era capaz de prender minha atenção, pediríamos pra uma garota qualquer pegar refrigerantes pra gente, daríamos risadas, e eu estaria dando atenção pra quem realmente merecia. E hoje lembraríamos disso com saudade e alegria. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Sobre o qual tantas vezes escrevi.




Penso que os livros são a mais bela arte que já conseguimos produzir, que neles, expressamos os maiores desejos da nossa alma, nossos maiores medos e anseios, e que desta forma tornamos livre nosso espírito, livres para ir onde bem quisermos, onde jamais seria possível imaginar. Neste mundo de magia e encanto, você faz parte integral das minhas fantasias...
Nele você é horas a nobre dama do reino, no qual eu camponês, faço-lhe a corte, ainda que de impossível realização. Outrora somos rei e rainha, brincado de governar, e governando rimos de como é bom brincar de Deus. E como deuses, em outra historia dançamos no olimpo, viajamos entre os mundos brincando de pega-pega.
Nas minhas historias mais puras fomos crianças de rua, ou irmãos inseparáveis, colegas de trabalho, gato e rato e nos meus livros mais fantasiosos fomos piratas rivais, soldados de tropas inimigas, eu o dragão e você o cavaleiro, que de espada e escudo nos confrontamos, outrora brincamos, nos beijamos e nos amamos... Fizemos amor... Sempre eu e você.
Mas nem sempre sou em quem escrevo minhas histórias, de vez em quando apenas me permito ser conduzido e é o teu olhar que me dita as palavras que devo usar, e de papel e caneta nas mãos, deixo nossa historia se desenrolar, vezes de forma complicada e arrastado, outras com gostinho de conto de fadas, mas fazer o que, se é assim que grandes historias são escritas, não? E desta maneira eu continuo escrevendo cada uma das palavras que fazem as historias da minha vida, e pensando assim vou dando para cada letra um sentido especial, uma ortografia que lembre os meus sucessos, as minhas derrotas, os meus sorrisos, meus amigos, que lembre você... Mas depois de reler tudo que escrevi, eu penso que ainda não sei escrever... Mas do que importa, tudo é uma questão de ponto vista, de um ponto que exista, um ponto que em uma destas histórias te faça minha... Assim como nos contos mais maravilhosos, eu sou inteiro seu.
Mas se meus livros não forem suficientes para contar a sua história, procure outro escritor, leia seus contos, e arrepie-se com cada palavra, ria, chore, pense, até releia algumas palavra só para saborear cada intenção... e quando o livro acabar e a tristeza bater, eu terei um conto engraçado para lhe dedicar, uma brincadeira ou uma piada boba, que só para nós tenha algum sentido, e quem sabe assim escreverei em minhas paginas: “E ela abriu aquele sorriso bobo, sobre o qual tantas vezes eu escrevi apaixonado!”.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A escuridão vem ai...





  • VIR AO ENCONTRO. 
    A jovem é poderosa. 
    Não se deve desposá-la. 


    A ascensão de elementos inferiores é aqui representada por uma jovem insolente que facilmente se entrega para alcançar o poder. Isso não seria possível se o forte e luminoso não tivesse também por sua vez vindo a seu encontro. As coisas vulgares aqui parecem tão inócuas e convidativas que o homem busca nelas um deleite. Parecem tão diminutas e débeis que ele julga poder se distrair com elas impunemente. O inferior ascende apenas porque o homem superior o considera inofensivo e lhe concede poder. Caso lhe fosse oferecida resistência desde o início, nunca chegaria a ter influência. Mas a época de VIR AO ENCONTRO tem também um outro significado que deve ser considerado. Ainda que, em geral, o fraco não deva vir ao encontro do forte, em certas ocasiões isso pode ser de grande importância. Quando céu e terra vêm ao encontro um do outro, todas as criaturas prosperam. Quando o príncipe e seu ajudante chegam a um mútuo encontro, o mundo alcança a ordem. Aqueles que são predestinados à união, entre os quais há um mútuo depender, devem vir um ao encontro do outro. Mas nesse movimento de vir ao encontro se deve estar livre de intenções não reveladas, desonestas, pois do contrário isso causaria malefícios.



    I Ching



sábado, 19 de maio de 2012

Noticia do Dia.





Hoje de manhã, abri feliz o jornal ao ler as noticias do dia, e me impressionei com os últimos acontecimentos que na primeira página era anunciado com letras garrafais: “bombeiros passam manhã inteira resgatando filhote de gato de dentro de um bueiro”, a matéria vinha seguida da informação que dizia, governo aprova a iniciativa de empresário em utilizar matéria prima cem por cento recicladas. Na página seguinte era escandalosa a matéria que dizia que “casal de milionários haviam feito a maior adoção já registrada, adotaram como filhos todas as cento e cinquenta e uma crianças e adolescentes de um orfanato judeu”. Continuei a folhear o jornal, página após página, e as noticias se repetiam em igual escala: “jovem ajuda casal de idosos a atravessar rua movimentada ”, “Mendigo deixa de ser morador de rua após receber proposta de emprego e moradia em um mercado local”, “Mãe reata relacionamento com o pai do seu filho para que este possa ter uma família completa”, “Rapaz escreve poesia para garota amada”, “praça da cidade amanhece cheia de flores”, “criminoso se arrepende”, “gentilezas no transito tornasse habito comum”, “doença é erradicada”, “promessas são cumpridas”, “animais são adotados”, “guerras extintas”, “drogas abolidas”, “doenças curadas” e “pessoas mais felizes”... No jornal final do jornal dizia, que naquele dia, nós finalmente havíamos começado a viver.     

sábado, 12 de maio de 2012

Sou presa fácil, mas posso te caçar.




Sou instintivo, já falei. Sinto teu cheiro de longe, e como animal, vou atrás de você.
Me organizo, planejo, te estudo cuidadosamente, é minha maneira de preparar meu bote.
Manipulo os outros a minha volta no único intuito de querer manipular você, espero que as pessoas se ocupem, eu finjo estar fazendo algo importante ali por perto, só esperando a hora certa, esperando a sala vazia, até que as pessoas vão embora, e te deixam ali, sozinha, desamparada.
É então que eu te ataco.
Espero você se distrair, levanto-me do meu esconderijo, te seguro forte pelo braço e te aperto contra mim, roço meu rosto contra o teu, você não foge, coloco minha mão na tua nuca e te seguro pelos cabelos, respiro fundo e mordo um canto da sua boca, você não demonstra, mas sorri que eu sei, se desvencilha de mim, e sussurra baixinho: Agora não, ainda não.
Neste momento eu não sei se eram minhas presas que eu estava cravando em você, ou se na verdade, as suas estavam cravadas em mim.

Farei como as cobras, quando te pegar, te abraçarei forte, e não te soltarei mais.


                                               __________________                               

...
 Presa fácil?

Estou ali sentada, te vendo.
Você pensa que eu não sei, que eu não espero.
É claro que você vai me atacar, melhor se não vier, mas eu sei que vai, sei que vem, tem que vir.
Você sente o meu perfume e não pode se afastar, está esperando que as pessoas vão embora, elas vão, e você virá, sabe que vale a pena esperar.
Elas vão e você vem, como o esperado, eu me levanto e você sai da sua toca.
Me pega pelo braço e me aperta contra o corpo.
Eu luto, não devo, mas gosto.
Você tenta me beijar, mas eu não quero, não agora, eu não sei, eu tenho duvidas, eu te quero, mas não devo, não te quero, eu tenho medo.
Eu fujo, viro o rosto, e como sempre, te deixo.
Antes que você se quer tivesse pensando em me atacar, minhas presas já tinham perfurado sua carne, e meu veneno corre em te sangue.
E agora meu bebe você é meu, até quando eu quiser, até quando eu deixar.
Eu posso parecer a presa, mas na verdade a minha caça é você.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Te guio, te puxo, te uso, te amo.


Te guio pra fora, te ponho no carro, te levo pra casa...
Te tranco em meu quarto, tiro tua roupa, te jogo em minha cama...
Te beijo na boca, te mordo o pescoço, te arranho, lhe puxo os cabelos, te ponho de quatro, te chupo, te como, te amo...
Visto tua roupa, destranco minha porta e te trago de volta...
A realidade.
Tudo em um pequeno e breve instante de nossas vidas...


Momento meu e seu.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Frenesi



Passo após passo, somente eu e você, um em direção ao outro...
Seus olhos nos meus, imparciais, profundos, rasgando minha alma...
Seus lábios semi abertos pediam os meus, chamavam desejo...
Passo após passo, nos encontramos...
Te puxei pela cintura, você hesitou, virou o rosto, tentou fugir...
Senti teu perfume e beijei seu pescoço...
Você me evitou e fugiu dos meus braços...
Eu me virei para ir embora...
Você agarrou minha mão e puxou-me de volta...
Abraçou-me com força e roçou seu corpo contra o meu...
Roubei-lhe um beijo...
Você se afastou, me deu um tapa e devolveu-me o beijo...
Suspirei...
Você me mordeu...
Como gelo e fogo,
Flor e espinho,
Mar e deserto,
Anjo e demônio,
Eu e você,
Meu corpo no seu,
Sua boca na minha,
Total frenesi.

Depois de provar nunca mais é possível parar.   

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Imprevisível



Caminhava livre, sempre em linha reta, na mochila, já bem pesada, minhas experiências, fotos, cartas e muitas lembranças, boas e ruins, mas extremamente importantes, afinal, elas diziam quem eu era ou quem eu sou. No horizonte... a esperança do desconhecido, de novas historias, novos problemas.

Foi no meio do caminho, que parei para escutar um canto suave, uma melodia desconhecida, e o perfume dos seus cabelos. Uma mulher.

A moça, quando me viu, sorriu, ainda tímida, mas sincera,

No primeiro minuto, nos estranhamos, desconfiados... mas logo no segundo seguinte, sorriamos despreocupamos, descontraídos, conversamos, sobre coisas estranhas e incomuns, mas que nos tornávamos completos semelhantes, muitas coisas em comum.
Horas de descobertas, confidencias, falamos sobre a vida, sobre a arte, sobre Deus, sobre você e sobre eu.

Tirei uma foto sua e coloquei-a na mochila... Respirei e continuei, sempre em frente...
Caminhando livre, sempre em linha reta, na mochila, agora mais pesada, nossas experiências. No horizonte... a esperança do desconhecido, de novas historias, novas aventuras, pessoas... 


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Paradise


Uma vez conheci um rapaz de uns vinte e tantos anos, ele não tinha muitos medos, exceto do desconhecido, mas e creio eu, que ele não conhecia muita coisa mesmo. Ainda assim, se julgava corajoso, inabalável e invencível. Um dia ele conheceu uma garota, do tipo pequenina e magrinha, daquelas que a gente passa e fala, nossa que “criança bonita”... e só isso. Mas ele porém, sentiu algo a mais naquele momento, algo que veio de dentro junto daquela respiração que fazemos quando suspiramos. Ele parou e pensou: “é só uma criança, então, isto deve ter sido uma cólica ou calafrio, sei lá!”. Mas, é claro que não foi... e eles continuaram assim... Viam-se quase todos os dias, mas no começo quase não se falavam. Depois passaram a nem se ver tanto, pelos empecilhos da vida mesmo, mas em compensação, conversavam o tempo todo, fosse telefone, internet, pensamento e as vezes, até em sonhos. Um dia ele se assustou, olho-a de um ângulo, viu que havia algo estranho na sua amiga, resolveu olhar por outro ângulo então, e entendeu, primeiro riu para si mesmo, e depois de si mesmo. Ela estava de batom, um detalhe tão bobo, mas ao mesmo tempo, tão grande, ela parecia um pequena mulher. Ele se assustou em seguida, pois involuntariamente, vieram em seus pensamentos imagens que ele não queira que viessem, se ele é um homem, e ela uma mulher, porque não imagina-la com ele, lado a lado. Primeiro repudiou a ideia, disse pra si mesmo que não, e resolveu para o bem de todos, afasta-la de si. E assim o fez, ou ao menos, tentou fazer. Passou a ignora-la e não dar mais tanta atenção as suas coisas, mesmo que às vezes, ou na maioria das vezes, os conflitos e ideias dela, por mais fúteis que fossem, pareciam tão inteligente e intrigantes pra ele. Mesmo assim ele lutou e se afastou. Ela, continuou mudando, ficou mais alta, cabelos mais longos, rosto mais fino e delicado, a voz, agora mais encorpada, lembrava perfeitamente a de uma adolescente que já esta certa de que a adolescência não duraria mais muitos verões. E assim se fez. Ela era uma criança linda, agora, estava se tornado uma mulher, realmente muito linda. Ele na verdade não conseguiu abandona-la por muito tempo, e acompanhou seu crescimento bem de perto, suas histórias, seus problemas, planos e confusões eram fascinantes e intrigantes de mais, para que ele abandonasse aquela menina, assim, aquele tipo de amor que não se sabe de onde vem, mas se instala e ganha proporções as vezes inimagináveis, não como a paixão que vem, confunde e vai embora pela porta dos fundos, mas sim este tipo de sentimento que não tem prazo de validade, tempo ruim, ou distancia que abale. Não se sabe ao certo no que se deu, se ela virou mulher ao seu lado, se algum beijo foi trocado, ou se somente continuaram ali, amigos confiáveis, mas, fato é que ele se orgulhou, por ter visto a flor mais bonita do jardim antes que qualquer outra pessoa a notasse, ali, quietinha, fechadinha em um botão, e sem que ninguém percebesse foi ele também o primeiro a ter o privilegio de ver a luz refletida pelo seu interior na primeira vez que a flor abriu, pura e linda, como uma verdadeira obra de arte deve ser. E claro que hoje todos querem sentir o perfume da flor, afinal, não se encontram flores como ela em qualquer quintal, e do tipo rara, o tipo que vale esperar vários anos para poder cuida-la de perto e sentir o seu perfume. Mas isto é conversa pra outro conto, afinal, esta é somente a historia de um amigo de um amigo meu, e com eu não conheço lá muita coisa, é melhor não falar agora... Deixa o tempo passar.