sábado, 4 de fevereiro de 2012

Paradise


Uma vez conheci um rapaz de uns vinte e tantos anos, ele não tinha muitos medos, exceto do desconhecido, mas e creio eu, que ele não conhecia muita coisa mesmo. Ainda assim, se julgava corajoso, inabalável e invencível. Um dia ele conheceu uma garota, do tipo pequenina e magrinha, daquelas que a gente passa e fala, nossa que “criança bonita”... e só isso. Mas ele porém, sentiu algo a mais naquele momento, algo que veio de dentro junto daquela respiração que fazemos quando suspiramos. Ele parou e pensou: “é só uma criança, então, isto deve ter sido uma cólica ou calafrio, sei lá!”. Mas, é claro que não foi... e eles continuaram assim... Viam-se quase todos os dias, mas no começo quase não se falavam. Depois passaram a nem se ver tanto, pelos empecilhos da vida mesmo, mas em compensação, conversavam o tempo todo, fosse telefone, internet, pensamento e as vezes, até em sonhos. Um dia ele se assustou, olho-a de um ângulo, viu que havia algo estranho na sua amiga, resolveu olhar por outro ângulo então, e entendeu, primeiro riu para si mesmo, e depois de si mesmo. Ela estava de batom, um detalhe tão bobo, mas ao mesmo tempo, tão grande, ela parecia um pequena mulher. Ele se assustou em seguida, pois involuntariamente, vieram em seus pensamentos imagens que ele não queira que viessem, se ele é um homem, e ela uma mulher, porque não imagina-la com ele, lado a lado. Primeiro repudiou a ideia, disse pra si mesmo que não, e resolveu para o bem de todos, afasta-la de si. E assim o fez, ou ao menos, tentou fazer. Passou a ignora-la e não dar mais tanta atenção as suas coisas, mesmo que às vezes, ou na maioria das vezes, os conflitos e ideias dela, por mais fúteis que fossem, pareciam tão inteligente e intrigantes pra ele. Mesmo assim ele lutou e se afastou. Ela, continuou mudando, ficou mais alta, cabelos mais longos, rosto mais fino e delicado, a voz, agora mais encorpada, lembrava perfeitamente a de uma adolescente que já esta certa de que a adolescência não duraria mais muitos verões. E assim se fez. Ela era uma criança linda, agora, estava se tornado uma mulher, realmente muito linda. Ele na verdade não conseguiu abandona-la por muito tempo, e acompanhou seu crescimento bem de perto, suas histórias, seus problemas, planos e confusões eram fascinantes e intrigantes de mais, para que ele abandonasse aquela menina, assim, aquele tipo de amor que não se sabe de onde vem, mas se instala e ganha proporções as vezes inimagináveis, não como a paixão que vem, confunde e vai embora pela porta dos fundos, mas sim este tipo de sentimento que não tem prazo de validade, tempo ruim, ou distancia que abale. Não se sabe ao certo no que se deu, se ela virou mulher ao seu lado, se algum beijo foi trocado, ou se somente continuaram ali, amigos confiáveis, mas, fato é que ele se orgulhou, por ter visto a flor mais bonita do jardim antes que qualquer outra pessoa a notasse, ali, quietinha, fechadinha em um botão, e sem que ninguém percebesse foi ele também o primeiro a ter o privilegio de ver a luz refletida pelo seu interior na primeira vez que a flor abriu, pura e linda, como uma verdadeira obra de arte deve ser. E claro que hoje todos querem sentir o perfume da flor, afinal, não se encontram flores como ela em qualquer quintal, e do tipo rara, o tipo que vale esperar vários anos para poder cuida-la de perto e sentir o seu perfume. Mas isto é conversa pra outro conto, afinal, esta é somente a historia de um amigo de um amigo meu, e com eu não conheço lá muita coisa, é melhor não falar agora... Deixa o tempo passar.

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