domingo, 23 de setembro de 2012

Das larvas que sobrarem, não espere mais do que nojentas moscas.





Você menina, é sim, uma fruta podre... Inconsciente e perfumada enquanto fresca, chama atenção de todos, aos que passam ao redor, fica a tentação de estender a mão até o galho mais alto para apanha-la, os pássaros, de leve a mordiscam, seu perfume se torna ainda maior anuncia que está pronta para ser comida, e assim as moscas são atraídas.  Mas a de se permitir que os vermes ataquem a fruta que já se faz madura, quase... podre... ferozes e vorazes eles corteja a morte, mordem uns aos outros, rasgam a carne com a mesma fúria e desejo com a qual adentrar a sua polpa doce e suculenta... a fruta "podre" e infestada de parasitas em breve cairá no chão... os vermes que dela comeram, gordos e incapazes, extasiados, serão comidos pelos pássaros, pois não terão como correr ou se esconder... A fruta podre e machucada no chão criará raízes. Não bastará a dor da queda, de ser atacada pelos pássaros ou de ser comida pelos vermes, sentirá também, lentamente a dor de penetrar na terra, mas depois da chuva brotara dela uma bela arvore.. e na primavera do ano seguinte ela dará pequenas flores, e quando o tempo passar, ano após ano, você, imponente, será sombra, ar puro, flores e dará novos frutos.

Mas no futuro não se esqueça, foi por quem te derrubou que se tornaste a arvore que é.

sábado, 22 de setembro de 2012

Atrito (Titulo Original 2011)




Outubro de 2011

Entendo porque é assim entre eu e você, somos feito como peças de um quebra cabeça, nós encaixamos com perfeição, milimetricamente equilibrados, perfeitos se ficássemos juntos, mas no momento incompatíveis... Como se houvesse uma barreira invisível entre nós, como água e óleo não podemos nós misturar, como duas superfícies de texturas diferentes, nós atritamos, entramos em combustão, desejo e repulsa, amor e ódio, mas nunca permaneceremos juntos... no fim é tudo igual, mas está tão cedo pra falar de final, que tudo que creio e que devemos deixar o tempo passar... vou te deixar ir..  vá com ele, ou com qualquer outro, nunca será somente minha, não é para nós o que eu sei que posso sentir por você, por que você não merece, não agora, não ainda. Quem sabe em outra vida...
A dor, é enxergar em ti um futuro tão promissor, que mesmo ainda tão nova, já decreta que não será fácil te deixar partir, que vale a pena esperar, que manhã você será a mulher que espero...
Dor também saber, que não serei eu a desposa-la, que muitas outras vidas passaram pela tua, e você se perderá mundo a fora, dona do próprio nariz... Cabe a mim agora, enquanto você é tão menina, apenas zelar pelo teu sono, e escrever timidamente as paginas da sua história que te lembraram daqui muitos anos, que entre muitos, eu fui uma pessoa legal pra você.

Outubro de 2012

Respiro um pouco mais profundo e sinto o coração acelerar quando risco no papel seguidas as palavras eu e você. O tempo, sempre sábio e severo não parou, e brincando de Deus como quem joga iô-iô nós deixou longe, depois perto, horas ameaçou, nunca mais, outrora disse que éramos perfeitos juntos. Compreendo assim nos esplendor da minha ignorância, que gosto de pensar, que fomos feitos um para o outro só que em universos diferentes, “sou um animal sentimental, me apego facilmente” as suas palavras, suas promessas, teu perfume e mordidas, beijos e olhares. Foi difícil não me apaixonar. Eu admito, briguei contra, considerei teorias de conspiração, invoquei rituais antigos, pesquisei seitas simbólicas, religiões perdidas, fiz cálculos de números de perfeição, estudei livros de estratégia de guerra orientais, busquei em mim e em você, algo que dissesse “não seja louco, não vai dar certo, você vai cair”... foi inútil, sua imagem ao lado da minha no espelhos, me fez crer que éramos deuses, que criaríamos nossos mundos, e por ele viajaríamos sem compromisso, destino ou hora pra voltar, hoje eu vejo, que o mundo do outro lado do espelho não está ao alcance, que meu mundo feliz contigo está do outro lado, mas o vidro e a prova de balas. O lado de cá, está em guerra, entre amigos e inimigos, ateamos fogos nos vilarejos, violentamos uns aos outros de todas as formas, despejamos venenos nas taças de vinhos e bebemos todos juntos, pois mesmo na guerra, ainda somos leais o suficiente pra não permitir, que nossa princesa se vá, com um raptor forasteiro, mas egoístas de mais pra permitir que ela vá com outro que nós mesmos. Nesta briga entre tigres e dragões, nos ferimos até a incapacidade, mas sabendo que depois tudo ficará bem, que os calos surgiram e nossa armadura estará mais forte da próxima vez... Lhe peço desculpas, enquanto escrevo minha história todos os dias, faço questão de lhe desejar bom dia na primeira linha do diário, e bons sonhos antes de fechar o caderno. Faço, não nego, questão de procurar o melhor ângulo, a melhor pose, a luz ideal para fotografar sua imagem na minha retina, o tempo todo, você sabe, me pega te olhando pelos cantos, e depois sorri sem graça. Me desculpe por isso, não faço por mal, e carinho apenas, de alguém que não sabe o que fazer com tanto afeto por você.
Se o senhor tempo, com o qual eu tantas vezes converso, e tanto pergunto sobre você, me permitisse fazer uma viagem de volta ao passado, eu retornaria para o mês de outubro de 2010, estaríamos em uma noite de final de espetáculo, sentados em uma pequena calçada atrás da lona de circo, as pessoas ao nosso lado estariam festejando, você ainda tão menina estaria sentada do meu lado direto meu lado, e eu estaria totalmente disposto a ver você se esforçando para mostrar o quanto era capaz de prender minha atenção, pediríamos pra uma garota qualquer pegar refrigerantes pra gente, daríamos risadas, e eu estaria dando atenção pra quem realmente merecia. E hoje lembraríamos disso com saudade e alegria.