quarta-feira, 20 de abril de 2011

Espera, partida e reencontro



Foi com lagrimas nos olhos que seu irmão acenou para lhe dar adeus no momento da partida com o coração apertado de saudade, mesmo com a certeza do reencontro em um futuro muito distante. Enquanto isso, em uma família humilde nascia uma criança, incerta de seu futuro, e a nove meses aguardada com ansiedade. O pequeno bebê trouxe muita alegria para seus pais, que o amaram mais do que se é possível amar alguém, e em meio a muito amor, essa criança cresceu. Ainda na infância se admirava com os pequenos trabalhos manuais, gostava de improvisar seus próprios brinquedos, latinhas de refrigerantes e tampinhas de garrafas, tornavam-se carrinhos, ônibus e caminhões, tudo que a criatividade e o sonho lhe prometessem fazer. Na adolescência conheceu a puberdade, agora não lhe bastava só o amor dos seus pais, dos avos, dos tios, nem do irmão mais novo, para ele, agora as garotas eram sua nova descoberta, a muito já havia largado os brinquedos de sucata, mas, para suas novas distrações, era preciso algum dinheiro, pois garotas gostam de ser mimadas. E entre amigos e garotas, ele se desdobrou para arranjar seu primeiro emprego. Já quase adulto, ele já havia feito muitas coisas, descoberto muitas outras, e guardava com sigo ainda recordações de coisas muito simples, mas que lhe davam o gostoso prazer da saudade, a saudade dos bolinhos de chuva que sua mãe fazia nos dias de chuva, o chocolate quente nos dias frios e até mesmo os picolés que seu pai lhe comprava nas tarde quentes, sentia saudades dos dias em que soltava pipas com seu avô, das historias de sua avó e dos programas que passavam na TV nos domingos a tarde. Mas ele não tinha tempo pra mais nada disto, pois agora ele era um homem adulto, já havia trabalhado em quase tudo, fora lavador de carros, carteiro, carpinteiro, escritor, mecânico de bicicletas, poeta, tentará também ser musico, ator, bailarino, mas foi de verdade com a fotografia que ele se encontrou. Tinha um carinho especial pelas imagens que capturava, não somente por sua beleza, mas principalmente, porque acreditava que cada foto registrada, registrava também uma lembrança, que seria recordada sempre que alguém revisse a foto. Ele queria muito que alguém tivesse fotografado suas tarde chuvosas com os bolinhos de sua mãe ou o chocolate quente nos dias frios, mas como naquele tempo, não existia maquina fotográfica, ele guardava carinhosamente estas lembranças na memória, e apenas lá, exatamente junto das lembranças que tinha do dia em que conheceu seu grande amor. Ele já havia amado e sido amado por muitas mulheres, mas como todo mundo, uma ele amou mais do que qualquer outra, um amor daqueles que nos prende vendo uma fotografia dela na parede, e recordando de todos os momentos bons, de uma só vez. E assim ele envelheceu, e conforme envelhecia, conhecia mais de perto um sentimento comum a todos que um dia nascem, a morte, primeiro se despediu de seus avós, presenciou o sofrimento de seus pais com a saudade da perda e a certeza do nunca mais, assistiu cuidadosamente os procedimentos fúnebres, sem se dar conta de que poucos anos depois estaria enterrando seus pais também. É claro que estes antes puderam aproveitar seus netos, pois ele, a esta altura da historia, já havia casado, conhecido um grande amor, uma grande companheira, e com ela teve filhos, três, que cresceram e conhecerem a morte pela primeira vez vendo a partida de seus avós, os pais de seu pai, que sofreu a perda com a dor da saudade e a certeza do nunca mais. E assim ele se tronou velho, criou seus filhos, que lhe deram netos e bisnetos, e a família cresceu. Aos oitenta e poucos anos, sua esposa, sua companheira de aventuras, de viagem durante tantos longos anos, decidiu que estava cansada de viajar, despediu-se carinhosamente do tão amado esposo, com quem viverá tantas lembranças gostosas, e decidiu dar a ele uma ultima tarefa, e ele então a enterrou e a assistiu partir também, não mais na certeza do nunca mais, mas sim na esperança de um reencontro, na mesma esperança, que aos oitenta e poucos anos, o fez lembrar em uma tarde chuvosa, de como gostava muito dos bolinhos de chuva de sua mãe, de como admirava seu pai, da honra de ter conseguido criar seus filhos de forma honesta e bonita, sentiu então uma imensa saudade de seu irmão, durante toda uma vida seu melhor e fiel amigo, pensou então que havia cumprido seu papel, sua missão. Na mesma tarde chuvosa, seus filhos reuniram no hospital, já tristes lamentando o diagnostico letal do médico sobre seu tão amado pai, eles, agora, tinham medo do adeus, da dor da saudade e da certeza do nunca mais. Ele ali, hospitalizado, com dor, porém pleno de seu dever cumprido, esperou apenas a chegada do seu ultimo filho, que vinha de longe para se despedir. E foi exatamente no final da tarde, quando a chuva parou de cair, que ao pressentir a presença do ultimo filho chegando a porta do hospital, que ele se despediu da vida, na certeza do alívio de quem viveu da melhor maneira que pode, e assim partiu.
Em quanto isso, muito longe da li, foi com lagrimas nos olhos, que um irmão que a uns oitenta e poucos anos esperava, agora matava a saudade com o retorno de seu melhor amigo, e com um abraço caloroso de quem acredita e espera, ele pode ver também a tão amada mãe com seus bolinhos de chuva e o admirado pai que sempre se confortou, ali, esperando-o com a alegria do reencontro, na certeza da eternidade.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

...Ou talvez, só não fosse ainda, a hora de dizer.





Me desculpe por chegar assim, sem avisar. Não que eu não tenha planejado, mas também não o faço por maldade, não havia uma malicia, ou uma segunda intenção, talvez, seja apenas por saudade, até porque já faz tanto tempo, que eu nem se quer tenho mais o direito de tocar no assunto, mas foi inevitável não pensar em você agora. Ontem eu presenciei uma recordação nossa, envergonho-me em lhe dizer que talvez tenha sido uma das recordações mais infantis que já tive a nosso respeito, mas, que me tocou profundamente, de alguma forma. Ontem, estava em pé, aguardando na fila da Opera de Paris e poucos metros a minha frente, havia um casal, uma mulher de pele muito branca e longos cabelos negros, e um rapaz magro de cabelos curtos. Ela usava uma boina e um cachecol vermelho, e ele, óculos. A distancia em que eu estava não consegui escutar com detalhes o que falavam até porque meu Frances nunca foi grande porcaria, mas sem dificuldade, como você sabe, era possível ler a cena apenas prestando um pouco mais de atenção. O rapaz, o garoto, era provavelmente mais novo que ela, não me pergunte, não sei dizer ao certo quanto. Ele nitidamente nunca havia estado ali, ou talvez nem em teatro algum, de mãos dadas ele perguntava coisas a ela a cada minuto, e apontava todos os detalhes do saguão de entrada e da primeira galeria do teatro, cobrando informações e explicações sobre o local e seus segredos, ela, entusiasmada, explicava minuciosamente cada detalhe do que sabia, horas despejando grande quantidades de informações ao rapaz, outras, falando pausadamente quando percebia que seu companheiro não acompanhava seu raciocínio, o foco da explicação só mudava quando ela percebia nele um sorriso de gratidão e compreensão, ela então retribuía e a conversa mudada o foco para outro canto interessante do teatro, nos poucos momentos em que ela não lhe explicava nada, também não se falavam nada, apenas estavam de mãos dadas ou abraçados, não era possível ver, mas ainda assim estavam se comunicando, de alguma forma, e isto me fez lembrar de você, me fez lembrar de nós.
Não me pergunte, eu também já gastei todos os neurônios possíveis tentando me recordar onde foi que nós nos perdemos, mas não consegui. Durante um tempo eu cheguei a pensar que a culpa havia sido minha, pois na hora de lhe devolver tudo o que você havia me ensinado eu não tive nada para lhe oferecer, que na hora de fazermos a troca, onde você se penduraria em meu braço e eu lhe explicaria cuidadosamente sobre algo do seu interesse, eu talvez não tenha tido nada a lhe dizer...
...Não consegui concluir a história, não consegui concluir o texto, nem o raciocínio...
... Somente parei, pensei... e continuei pensando em você.
Nada mais. Sinto muito.
Ass. Saudade


sábado, 9 de abril de 2011

Salto em Dueto



Descobri quando me apaixonei por você!
Foi no me momento em que subimos no avião?
Não acho que ainda não foi neste momento.
Teria sido então enquanto amarrávamos o para quedas em nossas costas?
Não sei, mas acho que não, até porque não me lembro se de fato eu havia colocado o para quedas em minhas costas.
Sim, você estava de para quedas, sei porque fui eu quem o colocou em suas costas e chequei três vez antes, da mesma maneira como você fez comigo.
Então já sei, me apaixonei por você no momento em que pulei do avião e você pulou atrás de mim.
Não sei, acho que na verdade eu pulei primeiro e você pulou atrás, se lançou ao desconhecido com tanta confiança em mim que não existia outra escolha a não ser me apaixonar por você também!
Você já tinha saltado antes, como sabia que eu estava realmente pulando por você, e que não pulara só por pular?
Porque você me disse que nunca havia pulado antes, e eu acreditei, porque havia sinceridade em seus olhos.
Não, não fui eu nem você quem pulou primeiro, nós pulamos juntos, foi por isso que me apaixonei por você.
Sim, pulamos juntos, e caímos juntos, varias vezes.
Eu sei, e me lembro de cada uma delas, cada segundo de queda, e da sensação de paz eterna que sentia cada vez que nossos para quedas se abriam e nossos pés tocavam novamente o chão.
Sim e era maravilhoso chegar em terra firme com você!
Então, porque você nunca mais saltou comigo? Porque deixou que eu salta-se sozinho do avião? Você não poderia imaginar como seria doloroso chegar ao chão e ver que você não pulou comigo daquele avião.
Sim eu sabia que doeria para você, assim como doeu muito em mim, ver você saltando confiante como sempre fez, e durante a queda olhar para cima, não me ver, esquecer por causa de um único salto as centenas de saltos anteriores, eu também me assustei e sofri quando vi que você hesitou em abrir o para quedas, simplesmente porque daquela vez, eu não saltei com você.
Mas eu abri meu para quedas, sim, a apenas alguns metros do chão, e me arrependi, pois doeu mais ainda ver lá de baixo, você saltar de mãos das com outra pessoa, naquele momento, eu quis não ter aberto o para quedas.
Sinto muito, apenas sinto muito.
Tudo bem, já te perdoei, se é que havia algo a ser perdoado, até porque eu também continuei saltando depois, mas ainda assim nenhum outro salto foi como os que saltei com você.
Por que? Ninguém mais ajeitou seu para quedas ou te olhou fundo nos olhos como eu te olhava antes do salto?
Não, as outras pessoas também fizeram isso, e eu da mesma forma cuidei para que minhas parceiras fizessem o melhor salto da vida delas a cada salto que fazíamos.
E você não se apaixonou por nenhuma delas enquanto saltavam do avião?
Não, porque não foi saltando do avião que eu me apaixonei por você, logo também não seria assim que me apaixonaria por nenhuma delas.
Então não foi por saltar comigo que você se apaixonou?
Não, porque eu me apaixonei por você muito antes de subirmos naquele avião, antes dos para quedas serem inventados, antes do próprio avião, dos prédios e dos carros, porque eu descobri que te amo desde antes de nascermos.

E assim continuarei, até mesmo nas nossas próximas vidas.


Decidi Fugir



Decidi fugir...
Mas não o fiz... Se eu tivesse certeza de que ele te deixaria livre, feliz e... viva. Mas como não tive essa certeza, também não tive coragem de ir. Sim, fiquei por medo, medo de te perder para sempre, medo de sabendo que você estando escrava do veneno dele, perdesse todas as memórias... e com elas, qualquer vestígio de todos os sentimentos que tive por você, e de qualquer um que você possa ter tido por mim. Estou neste momento enquanto escrevo, sentado a beira do precipício. Apenas aguardo a noticia, a de que você entregou sua alma a ele. Sei que isso vai acontecer, sinto muito, mas terei de pular. Com sorte a queda me despedaçara em dezenas de pedaços, e o sol da manhã terminara de pulverizar o que sobrar do meu corpo. Minhas cinzas se misturaram ao vento e com o navegar das brisas, estarei dançado com você pela ultima vez. De uma única vez, você experimentará a prisão e a liberdade, estará livre de mim para sempre, e definitivamente presa a ele. Eu nunca comprei a briga, não por medo dele, claro que não. Mas por medo de te machucar. Sempre vi que seu carinho por ele era muito maior do que qualquer afeição por mim, mas mesmo assim...
Tanto faz. Se qualquer pedaço da minha alma ainda me pertencer, ela estará sempre zelando por ti.
Por sua felicidade.
Adeus.





Não espero de ti pouco mais do que já tenho.
Como um gato que tudo o que quer é um pouco de leite,
Um sofá para afiar as unhas e quando lhe convem, um do para lhe dar um dengo
Eu apenas olho atento a linda bailarina
Que enquanto dança faz do seu corpo a poesia
Que me impussiona e dá um novo sentido
A beleza de viver a vida.


Não me Procure





Não me procure, porque eu não quero estar por perto. Portanto não me procure. Não estarei perto no seu momento mais feliz. Não estarei perto no dia da sua formatura. Não me procure para contar como foi bom aquele dia especial. Não me procure para dizer como é bom estar sendo amada. Não estarei perto quando você receber aquele presente tão esperado. Não me procure quando você estiver com aquela baita vontade de comer inteiro um pote de batatas. Não me procure quando você estiver muito feliz, nem quando o céu estiver em um azul lindíssimo. Não vou estar por perto enquanto você estiver ouvindo a sua musica preferida, nem quando os pássaros estiverem cantando de manhã para você. Não me procure quando a sua vida lhe parecer perfeita e o amor infinito. Não estarei ao seu lado quando as cortinas se abrirem e você brilhar no palco. Não me procure. Porque no momento mais triste, na hora em quem em que simples palavras não bastam para preencher o buraco vazio dentro de nós e o nó na alma parecer tão apertado que o desejo de enlouquecer chega a parecer a única escolha na escuridão, neste momento, você não precisará me procurar, porque eu estarei ao seu lado.


Pas de Deux Proibido



Proibido
Ele sempre foi muito corajoso,
Enquanto ela, tinha medos
Um dia, ele, certo de toda a sua coragem, resolveu ir um pouco mais além
E tirou ela pra dançar.
Ela aceitou, com medo e coragem, tudo ao mesmo tempo
Ele dançou com ela, amando-a, desejando-a e respeitando-a
Tudo ao mesmo tempo
Em um tempo só.
Eles dançaram uma única dança,
De passos difíceis, e pouco ensaiados, pelos dois
Uma única música,
Com tempos complicados,
Meio valsa, meio complicado, completamente sedutor.
Ao final da dança,
De passos perfeitamente sincronizados
Eles se olharam ofegantes,
Ele, particularmente sorriu
Ela, tímida, escondeu o rosto,
Mas por baixo dos cabelos loiros, também sorriu.
No mesmo dia, eles viajaram
Para muito longe
Cada um para dentro do seu próprio mundo
E durante muitos dias eles não mais se viram, não se falaram, menos ainda, se tocaram
Mas ele, diariamente, pensava nela.
Eles nunca mais dançaram juntos,
Nem fizeram mais planos, como se nem sequer sentissem falta um do outro
Talvez, nem sentissem mesmo, pois ela, arranjou outro parceiro
E ele, também não recusou quando outra bailarina lhe pediu a mão para dançar
Eles nunca mais dançaram juntos,
Embora, o magnetismo entre eles, ainda os façam se movimentarem
Estranhamente quando estão um, perto do outro.
Não se falou mais no assunto,
Mas eles voltaram a se falar,
Ao menos, o essencial que se dever falar,
Para continuarem se chamando de amigos
Não porque esta condição agrade a qualquer um dos dois
Mas porque pensaram que talvez esta fosse a única maneira,
De continuarem próximos o suficiente,
Para sentirem um ao outro
Sem precisar se tocarem
Mas ambos sabem,
Que na verdade fazem isso por medo
Medo da verdade,
De se apaixonarem de novo,
De magoarem um ao outro,
Ou ao seu novos parceiros.
De verdade,
Hoje eles estão juntos e separados
Os dois ao mesmo tempo
E por medo,
Juntos, porque tem medo de se perderem um do outro
Temendo nunca mais encontrar igual relação,
Gostosa e tortuosa,
E separados,
Pois juntos tem medo de estragar o mais valioso de tudo
A confiança
A confiança de que estão agindo certo
Pensando que tudo em sua relação
É simplesmente,
Proibido.
E assim eles continuam
Sem poder dançar aquele Pas de Deux