quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Tristeza incolor
Tuas pinturas estavam tão belas...
Me lembro bem, colorimos juntos os desenhos da sua vida
Eu vi teu traços infantis ganharem formas de mulher
Assisti você com um sorriso sapeca, combinar os diferentes tons de tinta
E fazer arco-iris a golpes de pinceis
Vi também as suas telas em tons de cinza chumbo, quando a melancolia lhe batia
Nessas horas eu esperava você se distrair, e derrubava "acidentalmente" um frasco de tinta azul ou amarela,
Quando você reparava, tua tristeza tinha pingos de chuva com tom de morango ou kiuwi,
Era o tempo de você borrar minha testa com teu pincel, falar um palavrão e depois sorrir,
fazia sol de novo.
Certa vez a tristeza chegou pisando firme em sua casa, e trancou as portas depois de entrar.
E tu porque escondera as tintas de mim, me deixou sem saber o que fazer,
Pela janela do atelier, vi você chorar por dentro, ao apagar todas as tuas pinturas.
Eu que fui teu fã, sofri calado sua solidão em preto e branco.
Quando decidir re-pintar os teus quadros, por favor, não se esqueça de usar as cores que inventamos junto.
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