Impaciente esperou o tempo passar, era difícil se dividir entre dois mundo tão parecidos e tão destintos, assim vivia em dicotomia, e logo, não vivia inteiro. Uma estava em terra, a outra no mar, e a ele o coração de nenhuma delas pertencia, era como ter tudo e não ter nada, cada uma protegida pelo seu senhor.
Na frustração do tempo que passava cada vez mais rápido, via a vida escorregar pelos dedos, como as areias do deserto onde uma se escondia, ou talvez, como as águas salgadas do mar onde a outra se ocultava, assim seu coração pertencia as duas, mas ele dava sempre mais do que podia receber.
Já sem um coração para chamar de seu, ele pensou: e se ele se lança-se ao mar, decidisse encarrar o senhor das águas e toda a sua maldade, só para vê-la sorrir, será que assim, um pouco do coração dela, enfim seria dele também? Fechou os olhos e planejou a jornada, imaginou o inimaginável por ela... Eram ondas imensas, num mar de incertezas, uma verdadeira tormenta de impossibilidades, e sua única segurança no seu pequeno leito flutuante, era a certeza de que ela estaria numa ilha qualquer perdida pelo mundo. Ele venceria o senhor dos mares, desembarcaria numa praia de areias finas e pequenas conchas, quando se encontrassem ela abriria um sorriso gostoso, seus cabelos voariam ao vento, e em um abraço apertado, ela lhe daria de bom grado um beijo no canto da boca.
Ele atravessou um mar inteiro, para vê-la sorrir.

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