sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vivicídio.





Havia tudo ali e um pouco mais, era sangue, ossos e carne, dilacerados com impacto da queda, isso ao menos era o que os curioso viam chocados, enquanto olhavam o corpo daquele que pulara do vigésimo segundo andar. Alguém tentando amenizar a tensão no ar em meio aos curiosos disse que ele morrera ainda no ar, ainda em queda, e que o corpo certamente chocar-se já sem vida no chão, outro cochichou em meio a multidão que se formava em volta do que restara da quele ser, que certamente havia ocorrido uma fatalidade, a pessoa limpava a janela quando acidentalmente cairá por um descuido, e uma senhora consolou uma moça chocada dizendo, "foi a vontade de Deus, havia chegado a hora dela", e todos eles, estavam errados. Quando ficou em pé, no parapeito do edifício, já estava morto, morrerá a cada dia, enquanto dizia sim a todos os não que tinha vontade de dizer, morria a cada dia todas as vez que viu calado o errado acontecer e se submeteu ao conforto do silêncio, morria quando acordava as cinco da manhã para uma vida mais ou menos, com sonhos mais ou menos, em dias mais ou menos e assinara sua sentença de morte quando se apaixonava pela pessoa errada e era feito de otário aceitado esmolas de amores frustados, quando era traído e aceitava, e mesmo quando sorria por sentir vergonha de chorar. Quando abriu os braços, fechou os olhos e sentiu o corpo inclinar-se para frente, em direção a imensidão que havia entre ele e o chão a vinte e dois andares a baixo, foi quando sentiu, como não sentia a muito tempo, a vida correr em suas veias, sentiu o calor do anos alegres que teve na infância abraçar-lhe o corpo, lembrou-se das noites de natal, reunido com a afamilia em volta de uma mesa farta, recordo-se do seu primeiro beijo, roubado quando ainda criança, e na mocitude da seu primeira paixão e também da primeira fez que fez amor, de quando se formou na faculdade, do primeiro emprego, do friozinho na barrida de dirigir um carro pela primeira vez, das aventuras com os amigos, das conquistas que levava no fundo memoria guardadas como troféus,  das viagens que fez e da quele amor especial, que carregou com ele em segredo a vida toda. Em menos de quatro segundos, viveu como há muito não vivia, e pouco antes de tocar o chão, desejou não ter pulado, agradeceu a vida que teve, e lamentou não viver a velhice. Lamentou não dar valor ao que teve. 

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